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Por que seu cérebro trava justamente nas coisas que te fariam bem? (Entenda a carga alostática)

  • Foto do escritor: Daniele Marchesine
    Daniele Marchesine
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Você sabe que deveria se exercitar... Dormir mais... Ler aquele livro parado na cabeceira... Organizar a casa... Voltar para a terapia. Começar aquele projeto importante...

Mas, quando chega a hora de agir, simplesmente não consegue.


E então surge aquele pensamento: "Eu sou tão preguiçosa." Ou: "Por que todo mundo consegue e eu não?"


Se isso já aconteceu com você, tenho uma boa notícia: talvez o problema não seja falta de disciplina, talvez seu cérebro esteja cansado.


O que a neurociência tem a dizer sobre isso?


Existe um conceito chamado carga alostática.


De forma simples, ela representa o desgaste acumulado que acontece quando nosso organismo permanece exposto ao estresse por longos períodos.


Esse conceito foi desenvolvido pelos pesquisadores Peter Sterling e Bruce McEwen para explicar como o corpo se adapta às demandas da vida — e quais são os custos dessa adaptação quando ela acontece continuamente.


mulher sentada perto da janela refletindo sobre estresse

E aqui está um detalhe importante: seu cérebro não responde apenas a grandes traumas, ele também responde ao acúmulo de pequenas pressões diárias: uma agenda lotada, preocupações financeiras, conflitos familiares, luto, problemas de saúde, sobrecarga mental, falta de sono... Responsabilidades constantes...


Quando essas demandas se acumulam por semanas, meses ou anos, o sistema nervoso passa a gastar cada vez mais energia apenas para manter o funcionamento básico.



O cérebro entra em modo sobrevivência


Quando a carga alostática aumenta, o cérebro tende a priorizar aquilo que considera essencial para o momento. É como se ele dissesse: "Vamos economizar energia."


O problema é que hábitos saudáveis também exigem energia: fazer exercício, planejar refeições, ler, meditar, aprender algo novo, organizar a rotina...


Tudo isso exige participação ativa do córtex pré-frontal — região associada ao planejamento, tomada de decisão e autocontrole.


Estudos mostram que o estresse crônico pode afetar justamente essas funções executivas, tornando mais difícil iniciar comportamentos novos ou manter hábitos consistentes.


Por isso, muitas vezes você sabe exatamente o que precisa fazer... Mas não consegue começar.


Não é preguiça. É biologia.


Isso não significa que você está condenada a permanecer assim. Mas significa que talvez seja injusto interpretar tudo como falta de força de vontade.


Muitas mulheres com quem converso, inclusive em momentos prévios eu mesma, acreditam que precisam de mais disciplina, quando, na verdade, o que elas precisam primeiro é entender o estado atual do próprio sistema nervoso.


Porque existe uma diferença enorme entre: "Eu não quero" e "Eu não tenho recursos suficientes neste momento."

mulher caminhando em trilha ao amanhecer simbolizando regulação

A pergunta que pode mudar tudo


Entendendo isso, podemos chegar a conclusão de que a pergunta ideal a nos fazermos não é mais: "Por que eu não consigo?", mas sim: "Em qual modo meu cérebro está funcionando hoje?"


Sobrevivência? Sobrecarga? Recuperação? Regulação?


Quando você começa a observar seu estado interno antes de se cobrar, algo muda.


A culpa diminui e a compreensão aumenta: a partir daí a mudança deixa de ser uma guerra contra você mesma.


O primeiro passo não é fazer mais


O primeiro passo é entender melhor como você está funcionando agora.


Porque ninguém constrói hábitos sustentáveis lutando contra um sistema esgotado: você não está falhando.


Talvez esteja apenas tentando funcionar com um cérebro que passou tempo demais em modo sobrevivência.


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Referências

McEwen, B. S., & Stellar, E. (1993). Stress and the Individual: Mechanisms Leading to Disease. Archives of Internal Medicine, 153(18), 2093–2101.

McEwen, B. S. (2007). Physiology and Neurobiology of Stress and Adaptation: Central Role of the Brain. Physiological Reviews, 87(3), 873–904.

McEwen, B. S., & Gianaros, P. J. (2011). Stress- and Allostasis-Induced Brain Plasticity. Annual Review of Medicine, 62, 431–445.

Sapolsky, R. M. (2004). Why Zebras Don't Get Ulcers (3rd ed.). Holt Paperbacks.

 
 
 

2 comentários


Ale V8
Ale V8
há um dia

Excelente . Temos que aprender a respeitar nosso estado cerebral

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Daniele Marchesine
Daniele Marchesine
há um dia
Respondendo a

Realmente!! Espero que te ajude! <3

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O Método DANI é uma abordagem de desenvolvimento pessoal baseada em neurociência aplicada. Não substitui acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou médico.

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